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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Zine Rugas #2

Feridas de pombo 
Não sei falar sobre pássaros. 
Tão pouco sobre flores. 
Poesia contemplativa não me pertence. 
Doce me enjoa. 
Camomila me dá sono. 
Não vejo as formas de uma ave e a preencho de doçura. 
Vejo suas partes e abstraio sua forma. 
Vejo feridas em suas asas e tumores em seu rosto. 
A solidão de sua vida e seu cheiro de esgoto. 
O lixo de que come e o medo em sua fome. 
Seus olhos vermelhos, seu bico rachando. 
Por trás de suas penas, sua carne está sangrando. 
Vermelho gotejando, feridas gangrenando. 
Jorrando. 
Como as flores, aos poucos vai murchando. 
Nas rodas de um carro sua vida esmagando. 
Em meio ao asfalto sua essência escapando. 
No lixo a matéria decompondo. 
Insetos rasgando, moscas pousando. 
Em meio a poluição sua carne vai chorando. 
Quem passa por ela continua caminhando. 
(Solano Gualda)

*Zine tamanho meio oficio, 10 paginas de poesias acidas e melancólicas, e algumas ilustrações... muito bom...

Rugas n2 versão digital
Zine Rugas

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