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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Conluio 2



    Esforço é uma palavra muito corriqueira dentro de cenas autônomas que dependem da vontade e da espontaneidade de indivíduos.
Esperar que o desejo de criar algo flua é muito complicado, principalmente quando esse anseio tem que combinar com o de vários outros indivíduos.
Sabemos bem que, no mais das vezes, relegamos as atividades que mais nos representam em segundo plano e damos atenção redobrada a outras produções que tem como fim atender exigências de alguma instituição ou empresa.
A elas dedicamos horas, dias e mais dias em busca de recompensas que nem achamos justas ou válidas, mas que acabamos por manter esse sistema por necessidade de sobrevivência.
São sempre essas atividades estressantes que elencamos como mais importantes, não no discurso, mas no nosso cotidiano.
  
   Estranho que as pessoas tratem a vida livre como algo que se conversa em mesas de bares e que não se tem aplicabilidade nas práticas do dia-a-dia, tratando filosofia e outras leituras de mundo, que se opõe ao que se está estabelecido, de uma forma fantástica e distante como em qualquer conto de fadas.
Não entendo o que nós estamos esperando pra começar a viver e tentar criar ao menos em nossas mentes, pequenos momentos e espaços de liberdade.
Tentando assim construir da forma que seja as inúmeras realidades possíveis e demonstrando que não só existem as verdades e estruturas concretas que nos são oferecidas, ou melhor, empurradas goelas a baixo nos fazendo engolir arduamente com gosto de sangue e frustração as normas, leis e regras contidas nas mais diversas esferas dessa civilização escravagista.


Com o passar do tempo nos questionamos, mudamos e retraçamos nossos caminhos, felizmente numa trilha onde o punk é mais plural, criativo e anarquista, combativo e ao mesmo tempo irreverente.
Nesse processo chegamos aqui, ativ@s e insatisfeit@s, querendo mais o novo e a ação.
E é nessa instigação do punk com o novo que matamos entre nós visões ou ideias do punk que nos pareciam algumas até repulsivas de tão autoritárias, rígidas e estáveis.
E aqui vós escrevemos palavras inspiradas numa ideia de punk que foge da rigidez e busca a movimentação, que foge da estabilidade e contraculturalmente se instabiliza visualmente, musicalmente, corporalmente, mentalmente, sexualmente e organizacionalmente.
O que queremos dizer, primeiramente, é que não nos encontra mais a ideia dx punk como meramente uma coisa que você "se diz".
Esclarecendo: contraculturamente falando, sim, somos punks; mas, contudo, ser punk para nós não é mais lá muita coisa.
Muita gente nesse mundo é punk, se dizem como tal, e agora nos parece muito idiota ficar julgando que é e quem não é ou discutindo critérios que definem uma pessoas como tal.
Preferimos perceber quem está próximo da gente para nossas ações e ideias e quem, pelo contrário, voa longe.
Começamos a ver as coisas assim depois que vimos aqui no nordeste e em campina grande muitas pessoas que estão "estáveis" dentro da cena punk, que "são punks" vivendo vidas que só reproduzem o padrão de se viver nas grandes metrópoles dos anos 2000.
Escutar música pesada é o mesmo que nada. Beber e se drogar também. Achar que o mundo devia ser de um jeito por achar, tampouco.
Enfim, punk não "se diz" somente, porque esse se dizer institucionaliza e engessa muitas pessoas. Punk se vive, não "se é" meramente.
Pode-se viver x punk sem se dizer e pode se dizer e viver como qualquer outro conformista, ganguista, rockstar ou idiota por ai.

É criando, sentindo, construindo e negando através da prática muita coisa que existe ai que fazemos dx punk uma ideia mais livre, irreverente e insana.
Culturalmente pensando, seguimos coma as ideias sobre música e estética do zine passado,
mas queremos criticar essas fronteiras que se estabeleceram na cultura punk que estagnaram muitas pessoas na mesmice e ampliar os horizontes dx punk, @ colocando como sinônimo de ação e novo, e não mesmice e morgação.
Punk não é a única música que escutamos, nem a única coisa que vivemos, nem a única coisa "livre" que existe no mundo.
E o que é louco é que, escutando, vivendo e pensando outras coisas livres diferentes trazemos para x punk novos gases, instigações, pensamentos, sonoridades, sabores e estilos.
Para os que não sabem significa Expansão cosmopolita.
     Punk não é um espaço para afogar frustrações e ou treinar sua mania de líder, tão pouco é um lugar para auto piedade e exaltação das síndromes de inferioridade e mania de coitação.
Punk é um espaço livre, uma ideia efervescente sempre em transformação, um espaço de evolução, de criação, onde ódio, revolta são os sons que embalam essa dança da morte e da vida, o caos que se opõe a tradição destruidora da lógica militarista capitalista que controla o passado e o presente nos vendendo a falsa ideia de estabilidade segurança futuras.
Queremos mais que linhas retas e continuidades.
Queremos nossas vidas correndo montanha abaixo como os rios, circulando com os ventos e as correntes marinhas, criando e recriando paisagens, em constante mutação fora da lógica cartesiana, e em harmonia com leis naturais.

*zine tamanho A4, 24 paginas... poesias e textos sobre punk, anarquismo, cena, veganismo, bike, movimentação, feira y zines, sexualidade, queer, banda, manifestação, protesto, receita, evento, anti-skinhead/oi, anti-fascista, conto e + muitas colagens, desenhos e expressões punx libertárias...

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