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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

As Vozes do Mudo


Fique a vontade para entrar no mundo adulto da violência gratuita, do grande plano de manipulação (...) da covardia sem limites, do esfacelamento de famílias, do rio de sangue temperado com baixa estima, e das vielas cheias de corpos cansados demais para entender a difícil engrenagem de uma sociedade fantoche. Veja em primeira mão os hematomas, os meninos que apanham do soldado que é pago para dar segurança e proteção ao povo espancado (...) um grande circulo vicioso, que alimenta a cadeia de parasitas que a própria justiça nunca alcançará. Além dos condomínios existe vida real, há muito tempo falamos, ninguém ouviu, não entenderam ainda o que queremos. Respeito. 

 

Ferrez

 

As Vozes do Mudo - Uma antologia minima de Ferréz, Marçal Aquino e Paulo Linz

 



 



quinta-feira, 3 de julho de 2014

Punk: Cultura e Arte/squatt pomba negra



A cultura punk supõe uma série de referências subversivas. Ela se
manifesta em todos os momentos da socialização de um punk. Na roupa
que veste, nos seus adereços, nas inscrições que grava nas ruas, nos seus
poemas, informativos e na música e o próprio uso dos objetos, a forma como
os produzem e os fazem circular portam significados.

estética punk que extrai do lixo, da desesperança a sua linguagem. Tudo isto
faz parte inclusive, da apresentação do visual punk que transforma o corpo
em arte, mas não em arte burguesa, um corpo que passa por uma plástica
letal, é o corpo-lixo, resto, que se destaca na paisagem, se arrasta com
sua "magreza" cadavérica, sua palidez, seus trajes sujos e incomuns e que
nesta fantasmagoria de seres mortos/vivos incomodam quando invadem
o espaço limpo da burguesia, com seus modos rudes e sarcasmos.

o punk avança em relação aos demais movimentos sociais contemporâneos no que diz respeito à
proposta de fazer da política uma experiência de todo dia, de fazer da privacidade
do ambiente doméstico o ponto de partida da política e de com
isto, deslocar a política do Estado como lugar privilegiado.

Ivone Cecília D’Ávila Gallo
(livreto) Punk: Cultura e Arte

...esse "livreto" fala um pouco sobre a okupação/squatt POMBA NEGRA que aconteceu em campinas/SP entre 2000 e 2004...

* ... a imagem a cima  é do  2º zine do squatt pomba negra, quem tiver interessado no zine(s), entre em contato, só trocas (o zine)...

sábado, 21 de junho de 2014

...teste em animais é e sempre foi desnecessário...


Temos dois olhos na frente porque somos primatas, não predadores.
Temos caninos pra rasgar os alimentos, não apenas carne. Todos que comem carne rasgam-a com faca, não com os caninos.
A questão não é ser contra o consumo de toda e qualquer carne (isso é outra história), a questão é ESSA carne que comemos NESSA cultura. A diferença entre nós e os leões é que os leões primeiramente são extritamente carnívoros, segundo que não criam animais intensivamente para abate, terceiro que a zebra nasce e cresce em seu habitat natural, quarto que essa relação não destroi a natureza, não desmata, não polui os lençóis freáticos e muito menos a atmosfera, não desperdiça milhares de litros de água, não causa inúmeras doenças nos leões, enfim, quinto que o leão caça, mata e come sua presa no mesmo dia, sexto que o animal humano vive sem carne muuuito bem, o leão não.... paro por aqui, não por falta de motivos, nem por achar suficiente, mas para que continue a ler o resto...
Se o abate não for cruel, ainda assim teremos uma "matança indiscriminada". Se existe matança é porque existe consumo.
Teste em animais é e sempre foi desnecessário. A fisiologia dos animais é bem diferente da nossa. A experimentação animal é a quinta que mais mata humanos em hospitais, por efeitos colaterais das drogas administradas em pacientes que anteriormente foram "comprovadamente" eficientes em testes com animais.
A experimentação em animais atrasa, e muito, o avanço científico em descobrir novas formas de cura para as variadas doenças.
Para nós não a distinção entre o sofrimento de animais, seja humano ou não-humano, todos têm a capacidade de sofrer. "Pra que nos preocuparmos com os negros enquanto muitos brancos sofrem?"
Especismo, preconceito baseado na diferenciação por espécie, utilizado normalmente para justificar a opressão exercida a outros seres.
Sendo especismo, racismo, machismo, nazismo, a desculpa é sempre a mesma...

quinta-feira, 19 de junho de 2014

...governo (ou desgoverno) e sempre pela força.





Eu estou cansado de saber disso, mas a maioria não se convence que sem governo é melhor.
Desde criança sinto um eterno zumbido no ouvido de que o governo não presta.
Hoje estou com perto de 50 anos e o zumbido de que o governo não presta aumentou.
Que diabo! Uma coisa que não presta bota-se fora, não se deve aceitar!
Mas aí quem poderia governar-se por si?
Eu!... Eu mesmo podia me governar muito bem. Por que não?
Ora essa! Então não sei me dirigir por mim mesmo?
O governo fornece-me algumas muletas? Faltaria só isso! Não saber me governar! É o que venho fazendo há cinqüenta anos! Pois os animais se governam muito bem por si, quanto mais um de nós que tem mais recursos e mais fácil o pão.
Vamos ser razoáveis. Sempre dispensei e dispensaria perfeitamente o governo.
Nunca o consultei para nada, nem lhe solicitei ou recebi dele qualquer favor ou benefício.
O governo, o Estado, é que não procede reciprocamente comigo.
Mete-se em todos os meus negócios, atrapalha-me de todo jeito, quer saber quanto ganho, o que faço, de que vivo, e tira de mim o lucro do meu trabalho em licenças e impostos, em nome de instituições que eu não conheço, deixando-me só o que preciso para não pedir esmola.
Posso eu sozinho me opor à vontade do governo?? Não!? E por quê?
Impele-me pela força armada. Aí é que está.
Mas não digam que não saberia conduzir-me sem governo. Não sou só eu que não quero, somos todos.
Por que é que se formam partidos políticos de todas as cores? Não é para combater o governo? Aliança Liberal, o Partido Democrático, o Partido Católico, o Partido Socialista, o Partido Comunista e Cia., não são ou foram contra o governo? O governo não presta.
Como vedes não é só o anarquista que não quer governo, somos nós todos. Vamos então ser sinceros: quem é que gosta de ser governado? Além de tudo, o governo é um ente escravo de si mesmo, e quais garantias têm os governantes? As mesmas dos governados. O pau que dá no Chico dá na Joana! O governo é uma coisa tão absurda que não garante nem a si.
Tudo é questão de palavras. Estou convencido de que todos querem o mesmo que eu quero, só que à maioria falta a coragem de assumir a responsabilidade das próprias convicções e perder o amor aos privilégios (e muletas e esmolas) adquiridos e nada mais.
Mas que o governo garanta alguma coisa de perene e eterno, todos estão cansados (como nós) de saber que isso é mentira, que o governo não garante coisa nenhuma, pois até ele é provisório e passageiro como uma estrela errante.
Por isso digo-vos: o governo não presta! E com igual razão os da última moda: bolchevista ou comunista, fascista ou socialista. Os nomes pouco importam. É que constituem um só conteúdo, uma coisa só: governo (ou desgoverno) e sempre pela força.







Armandinho
Texto publicado no periódico A Plebe, abril de 1933

sexta-feira, 13 de junho de 2014

HOJE GRATIS

desesperança tragédia
trinta facadas
discórdia
paco de horror
fracasso 
ameça 
a lei do cão
violência
morte
a paz e o amanhã UTOPIA
cicatrizes
resistindo
guerra
vitimas 
não do terror
barulho
consumo 
atentados
no
contagem regressiva
a vida volta a atacar

BEM-VINDOS A CIVILIZAÇÃO

bebado triste morreu encarando um sangrento perigo
com mais uma vitima do caos

deus UMA PIADA SEM GRAÇA
o ultimo prego no caixão


quarta-feira, 28 de maio de 2014

...quebrado em pedaços...



Invadindo minha casa
Criaram minha sentença
2 gramas de pó
Misturados a álcool e maconha
Eu fui pego ausente
Fui interrogado
Com os amigos drogados

Eles perguntando a mim meu nome
 e possivelmente a quantidade
Eles perguntando a residência
A onde costumo guardar
Eu não desejo contar nada a ele
Assim ele chuta-me na cabeça
Sou socado no rosto
Meu sangue escorre em minha face

Pego no quintal
Na segunda de manhã
Com metade de duas já na mente
Eu fiquei na cadeia
Eu fiquei quebrado em pedaços
E esse cara, não quer me conceder a fiança 


como você escreve cidade? m.e.r.d.a.




...enquanto caminha
tudo mudou, nada é o mesmo
a cidade,
é apenas uma lata de lixo, uma lata grande
e a lata está cheia a tanto tempo,
que não há mais espaço para o "nosso" lixo, para nós
basta andar pelas ruas
ande pelas ruas durante o dia ou noite,
e espere
não há nada a fazer, só andar pelas ruas
e esperar...
como você escreve cidade? c.i.d.a.d.e.
não, não, não, não, não,
se escreve m.e.r.d.a.

...

sábado, 24 de maio de 2014

...e se o punk morreu nós somos a vingança... ZINE #


Evoluímos sempre, vivemos hoje e não o passado, mas a  essência do punk permanece a mesma, se você quer ; você faz, mas se você faz por exemplo patchs e vende, você não esta vivendo a cultura punk você esta vivendo DO punk.....não se vive do punk se vive para o punk! Tem punk que não é  muito bom ,nas artes...mas quem tem o mínimo de sentimento sincero ao punk vai com certeza se virar pra produzir seu próprio material, não é pra ser bonito, é pra ser sincero, produção não é só visual e banda, nenhum material vale mais ou menos que outro, d.i.y por d.i.y, , o que vale é a por em pratica o faça você mesmo e a ruptura do capitalismo/conformismo. Se pessoas começam a comprar, se torna sim um comercio dentro punk...Mas pelo visto nem todo mundo consegue compreender, deve parecer um grande absurdo pra eles dizer que material punk não se comercializa, será que é tão difícil as pessoas colocarem em pratica o D.I.Y. ? as pessoas ficam MUITO assustadas quando dizemos NÃO A COMERCIALIZAÇÃO DE MATERIAL DENTRO DA SCENE tudo e vendido hoje em dia, nas próprias  gigs/eventos ate na internet , isso sim é assustador.
Me pergunto porque preferem ser dependentes das produções de outras pessoas, ao invés de serem independentes nas questões D.I.Y . Porque vocês ao invés de comprar ou de ficarem pedindo, não fazem ? quer um patch que alguém  já tem a tela/estêncil , produz outro material e TROCA !é tão difícil pegar um pincel, uma tinta e um pedaço de pano e produzir seu próprio visual? É tão difícil procurar na internet como produzir um estêncil e fazer sozinho ao invés de ficar de papo furado no facebook ? è tão difícil expor suas próprias ideias? Se não consegue se expressar, porque bate  no peito pra dizer que é punk ,e fica usufruindo da produção e da expressão de terceiros se você não é capaz de mostrar suas próprias convicções!?
Quando você faz você mesmo, incentiva a as pessoas a fazerem o punk acontecer nos seus cotidianos, a produzirem, eu sempre digo que o DIY não é só você costurar seus patchs, é muito mais que isso!

O punk não é uma limitação, é expansão...  diversifique, crie...


Viva o punk, não viva do punk.

*PRIMEIRO ZINE QUE ESTOU FAZENDO COM A MINHA COMPANHEIRA... TEXTOS SOBRE: 
-FAÇA VOCÊ MESMO (ESSE TRECHO AI EM CIMA É UMA PARTE)...
-PUNK ANTI-SKINHEAD/SHITHEAD...
-TEXTO DE ADRIENNE DROOGAS (EX-VOCALISTA DE BANDAS COMO SPITBOY E AUS-ROTTEN)...
-SOBRE MACHISMO EM AMBIENTES UNDERGROUNDS....
-CONTO DE GUERRA... 
16 PAGINAS E MUITAS COLAGENS E DESENHOS... QUEM TIVER AFIM ENTRE EM CONTATO PELO BLOG OU NO E-MAIL AO LADO...

*SOMENTE TROCAS, NO FAÇA VOCÊ MESMO E DE PUNK PRA PUNK
NÃO NOS INTERESSAMOS POR QUANTIDADE E NEM VALORES...

FAÇA PELO PUNK PORQUE ELE NÃO FAZ POR VOCÊ...

...NÃO REPRODUZA CLICHÊS... OS DESTRUA...

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Aus-Rotten – The Second Rape



A cada 45 segundos uma mulher é estuprada 
Nossa cultura sexista não permite escapatória 
Este crime violento está longe de ser raro 
Quando a taxa de vítimas é de 1 entre 3 
A sociedade condiciona homens a serem estupradores 
Ação perpetuada por nossa indiferença 

Com um linguajar desprezível que tende a desumanizar 

Tornando fácil o homem se transformar em vítima 
Além das imagens 
pornográficas que ajudam a retratar 
A mulher como uma presa sexual 

Quando o sexismo está presente em nosso sistema judicial 

Não é surpresa que os tribunais não ouvirão 
E os papéis de agressor e de sobrevivente se tornam distorcidos 
Então a maioria dos estupros nunca são denunciados 

A ameaça do estupro sempre está em volta 

É como um veneno que satura o ar 
Uma sociedade atingida por uma doença cancerígena 
Onde os homens sabem que podem fazer o que quiserem 

Então me diga qual a punição para o estupro 

Então me diga quanto tempo de prisão será necessário 
Quando uma entre três mulheres serão estupradas 
Me diga o que será necessário 

Você me vê com minha blusinha 

Ou salto alto ou minissaia 
Você diz não resistir ao seu instinto predador 
Me diga por que sou culpada 
Me diga por que quando sou agredida e abusada, 
Quando é meu corpo que é estuprado e desonrado, 
Me diga por que sou eu quem está em julgamento 

Advogado de defesa: Você conhece o 

homem que "supostamente" te atacou? 
Vítima: Sim, eu conheço o homem que me estuprou. 
Advogado de defesa: E este senhor não é um amigo seu? 
Vítima: Bem, eu achava que ele era um amigo meu. 
Advogado de defesa: E você tinha bebido naquela noite que ele "supostamente" te atacou? 
Vítima: Eu tomei um ou dois drinks, isso é um crime? 
Advogado de defesa: Eu faço as perguntas, se você não se importar! 
- O que você estava usando? Como você reagiu? 
Vítima: Meu guarda-roupa não é um convite para que um homem me ataque. 
- Eu não agi de qualquer forma que fizesse com que isso acontecesse. Porque estou sendo julgada? 
O que eu fiz de errado? 
Advogado de defesa: Você pode dizer ao júri porque permitiu que isso acontecesse? 
Vítima: Eu estava em estado de choque. Não conseguiria tê-lo impedido. 
Advogado de defesa: Você alega que foi estuprada, mas como saberemos? 
Vítima: Eu disse não, eu disse não! Eu disse não, não, não! 
Advogado de defesa: Não é verdade que você é apenas uma mulher rejeitada? 
Vítima: Sou uma mulher que foi estuprada e dilacerada. 
Advogado de defesa: Meritíssimo, peço que esse caso seja anulado, tudo se resume a palavra dela contra a 
dele! 
Eu posso não ter feridas por todo o meu corpo 
Eu posso ter bebido um pouco na festa 
Mas quando eu fui para o quarto dele nunca poderia adivinhar 
Que ele forçaria o meu não a significar sim 

Me diga por que eu sou culpada desse crime 

Me diga por que a responsabilidade é toda minha 
Quando as mulheres sofrem um segundo estupro durante julgamento 
O tribunal ajuda os estupradores a violar e corromper