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domingo, 3 de janeiro de 2016

Reboco Caído nº28

Vento frio

aproveitando a depressão noturna 
a melancolia solitária deste aposento 
fico observando o vento nas árvores 
a chuva fina caindo 
só o nada a preencher 
leio algumas frases tortas 
escritas há algum tempo 
no intuito de começar uma história 
lembro da senhora dormindo na calçada 
será que arrumou um lugar seco para ficar 
vejo os galhos balançando 
dobrando 
quantas pessoas agora por aí 
encarando essa noite fria 
sem ter onde ir 
uma voz grita alguma coisa 
quebrando o silêncio 
o que será que aconteceu 
passa um carro 
as árvores continuam a resistir 
os galhos balançam com mais força 
lixo voando pela rua 
tomo mais um gole 
o vento continua a soprar pela cidade fria

Versão digital nos links:
Para adquirir a versão impressa, entre em contato pelos endereços expostos no próprio zine

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Haveria - em algum lugar - algo que fosse diferente?

Não era assim que ela imaginava que fosse ser. A mudança, outrora sempre vinha a mente como uma possibilidade a mais 
de buscar algo que fosse vivido ou diferente... não apenas mais uma ausência de alternativas mediante o 
esgotamento da expectativas construídas sobre o modo de vida anterior. Isso parecia triste, mudar não pela coragem 
mas pela covardia, não pela força mas pela fraqueza, não pelo entusiasmo mas pela amargura. E Ela se sentia amarga
como nunca, talvez apenas numa fase e nunca a pior delas, mas eram dias de um vazio indescritivel... seus passos 
era tão leves que não marcavam a areia, fazendo com que seus caminhos não tivessem nem passado nem futuro...
mesmo sempre saindo de algum lugar e chegando a outro, havia um tipo de restrição oculta nos espaços por onde ela
transitava, que sua experiência e conhecimento acumulados talvez nunca fossem suficientes para desvendar.
Ela concerteza conseguia dissimular suas incertezas e o seu descompasso com o mundo sem maiores problemas,
para entrar em contato com Ela e com outrxs que carregam em si um genuino descontentamento a ordem das coisas,
mas que não conseguem mais construir seus sonhos e novos mundos, ou viver apenas deles.
Isso não fazia muita diferença, agora que um novo caminho estava sendo criado, agora que novas escolhas haviam
sido feitas. Na verdade, não havia nada de novo naquilo e ela sabia, era apenas um reinício em um outro contexto, 
em um outro ambiente, mais ainda assim circundando pelas mesmas estruturas e com os mesmos principios. Era tudo
tão igual que, lá no fundo, ela se perguntava se havia em algum lugar sobre, algo que fosse diferente.
Assim os dias prosseguiam movidos pela deseperança... A ultima partida havia sido uma derrota e, mesmo que talvez essa
proxima rodada lhe reservasse alguma vitória, ela não sabia mais se isso era relevante. Vitórias e derrota 
sempre se confudem no mundo da indiferença.
Talvez o problema ali não fosse realmente a mudança da realidade ou a disputa de alguma partida, mas apenas Ela
mesma e seus valores, seus objetivos. Ela sabia que o problema - ou a principal resposta para os problemas - estava
em sua força, as esperanças que lhe restavam. Assim ela seguia, incerta, e vez ou outra imaginava quando suas forças
iriam se esvair e quando o que lhe resta como seu seria finalmente entregue. Questionava-se sem saber que não havia 
mais força alguma, nem tempo... e que - tudo o que ela fora algum dia - já estava perdido em algum lugar, ou como uma 
lembrança triste, ou como uma pegada apagada na areia.

Inkomodozine #4
Fragmento de texto retirado do "Vai até lá e sinta" - junho de 2004


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Não trago a verdade comigo

Não trago a verdade comigo e se houvesse alguma, eu a rechaçaria.
Talvez estes livros e todas as palavras que já foram escritas ou profetizadas tenham esvaziado seus conteúdos e hoje estão banalizadas e servem apenas para encherem a boca de teóricos, acadêmicos, blabláistas... 
Acho que cada pessoa precisa pensar. E pensando ela ao menos existe... ela faz a diferença em um mundo onde a automação nos nega os sentidos, a massificação retarda nosso cérebro e os avanços tecnológicos longe de trazerem soluções para a humanidade, a despedaça ainda mais...
Naira



manifestações egoicas...

mas uma autodescoberta introspectiva, 
as fronteiras entre o que é íntimo e o que é público ficam borradas 
intimidades são transformadas em coisas públicas, 
e aquelxs que se recusam a publicizar sua intimidade 
vistxs como pudicxs e reprimidxs, 
necessitadxs de uma limpeza psicológica...
certamente... 
precisamos ser aptxs 
nos libertarmos de sentimentos opressivos, 
emoções reprimidas e caminhos tortuosos...
existe uma fome de "ser"...
permanentemente olhando para trás, 
para dentro de nossos passados, 
em vez de vermos outros horizontes vindos de outras experiências
encontrarmos possibilidades novas para nossas vidas...
substituímos o "ser"...
uma overdose de adoração ao próprio umbigo e autodescoberta, 
borramos a diferença entre os dois 
- verdade e culto ao ego - 
de modo que a "verdade" passa a ser equacionada 
manifestações egoicas... 
se tornam "espelhos de aumento", 
refletindo a si mesmxs de volta em um tamanho maior, egocêntrico...
descontextualizando a autorevelação
uma importante parte de qualquer ser esclarecidx e autocriticx...

destrua a moral...

deveras...
indivíduos que cultivam o rotulismo
interpretando o pUnK por meios morais
deturpação eis que surge
tão ínfima de indivíduos
pernilongos cheios de teorias pseudo-intelectuais
deturpação pseudo-critica
cultivam mentiras vivas
cinismos e ideais de ismos...
singularidades "passivas"
almejam a moral nessa sociedade
foda-se a mentira...
mentira que se torna passível
filosofam a tragedia...
a margem...
uma natureza trágica
o PuNk é a própria tragedia
nega a estrutura da sociedade
não almeja a moral nessa sociedade
foda-se a mentira...
mentira que se torna passível
ir além...
muito mais do que ter um ideal
torne-se real
cultive uma destruição interna
desperte da escuridão do próprio ser humano
destrua a moral...


Confissão Misantropa


seu café da manhã é uma dose
uma dose para as consequências de existir
as vezes é o que ajuda
mas dói mais...
brincando de cabo de guerra
sente-se como a corda
está no limite
mas continuam puxando
está perdendo a sua mente...
se esconder na parte de trás de uma caverna
no topo de uma montanha
onde ninguém x pode ouvir
onde ninguém x pode ver
talvez esteja apenas cansadx
anti-social chamam nx
gostar apenas de si mesmo
uma operação solo
sozinho apenas, é mais confortavel...
a apatia lhe obtem o melhor
está tão cansadx
de falar dos seus problemas
pessoas são odiosas
destrutivas e gananciosas
orgulhosas e ingratas
o mundo seria melhor sem nós
seres humanos um desperdicio de ar
nenhum digno de confiança
chamam nx de anti-social
mas está é apenas uma confissão misantropa
de qualquer maneira é uma operação solo
muito mais confortavel sozinhx
e muitas doses no café da manhã...


caiam fora idiotas skins

sempre que aparece uma juventude com ideias direitistas recorrem logo a indumentaria skinhead... usam suas simbologias... suas estetica e por ai vai... ai vem um monte de 
imbecis querer dizer que o skinhead tradicional é antifascitas e blablablablabla...
skinhead é um "subgenerop" que ja deveria ter sido extinto da face da terra ... essa bosta existe desde os anos 60 sempre pegando carona em outras movidas querendo se infiltrar... foi assim no reggae... e agora querem construir uma nova historia para o skin aqui no brasil sem nem se importar com a relevância dos fatos... haja vista que no brasil desde que a merda do oi surgiu junto aos skins, sempre foi um subgenero de cunho fascista... a merda com essa nova geração fabricada pelo wikipedia e facebooks da vida...caiam fora idiotas skins...

...ideias são apenas perspectivas e não dogmas absolutos...

...ideias são apenas perspectivas e não dogmas absolutos...
...mas o espetáculo está ai para quem quiser assistir e até participar desta encenação, desta palhaçada que hoje se estabeleceu de forma gritante, e nada parece abalar essa situação...
o doutrinismo, as mentiras, calunias e as falsidades se tornaram pilares dentro do processo, ao invés de autocritica, humildade e “razão”... pois nunca encaramos nossos erros e problemas de forma critica, sempre buscando que o tempo fosse o melhor remédio para nossas limitações... isto gera um ostracismo que aos poucos vai nos afastando de nossos objetivos... pessoas que utilizam posturas como se fossem troféus; “acéfalos”, oportunistas e idolatras...
ao invés de buscar nossa identidade de radicalismo cultural, fazemos concessões, culto patético a bandas, zines, visuais e posturas que mal se entende e vivência... hipocrisia, falsidade e egocentrismo...
este é o quadro de uma geração de idolatras que não buscam desenvolver nenhum raciocínio critico perante essa realidade de degradação do punk.
Os fatos tem de serem ditos e não ignorados...
Radicalismo e resistência cultural do punk... radicalismo na vida... radicalismo cultural e cotidiano...
Resistência PUNK.


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Zines, cartazes e outras coisitas para trocas, breve umas cartinhas recheadas chegando prxs manxs PuNx...

Zines: e se o pUnK morreu nós somos a vingança - só os peixes mortos do rio seguem a corrente - Fora skins
Cartazes: há sempre um(a) PuNk por ai... - Punk revolução pessoal de negação social - a cara dxs punx são feitas pelas próprias pessoas pUnX... - você não agiu, você decidiu PuNk só morreu pra quem não viveu...


sexta-feira, 14 de agosto de 2015

há sempre um(a) punk por ai...

o tom geral é cinza...
a noite impera violenta...
mas há sempre um(a) punk por ai
adentra a cena,
um "monstro" que se deixa ver...
mas o monstro somos nós e nossos nós
escondemos o óbvio que está dentro de nós
os muros que levantamos contra outros e contra nós...
então transformam (?) o punk no carregamento de pedras
que aumenta os muros,
ao invés do martelo que os derrubam...
covardemente maquiam seus egos com uma palavra (?)
com uma falsa postura, que se opõe a própria palavra
ao significado da mesma e sua "finalidade"
fingem não haver mais os horrores das socializações 
ao qual nos subjugam desde que nascemos...
"vivem" a palavra, mas não seu significado, 
massificam a palavra e assim, deturpam/banalizam o que ela representa
cobrem seus corpos com mais um rotulo,
assim como os que lhe foram escolhidos desde que nasceram...
incessantemente cultuam a palavra e outras associadas a mesma...


mas há sempre um(a) punk por ai 
que adentra e entende a sua função
um identificador de afinidades, posturas e politicas
um aglomerador cultural subversivo do sublime com o grotesco
arte marginal sem cartilhas, sem papas ou travas
arte como instinto puro do individuo esclarecido do mundo que o cerca
contra cultura combativa essencial
a comunicação entre marginais pessimistas e políticos na ultima trincheira
experiência compartilhada entre essências ideológicas
sobreviventes das mudanças politicas, ideológicas e linguísticas...
quando sonhos morrem elxs permanecem
como poemas nas cavernas...
eis então o que significa e representa viver o Punk
não repetir o senso em comum, mas uma base em comum
um identificador de seres afins ou não,
e não um reduplicador de clichês e identidades prontas
seres que não se ajoelham e ruminam junto com a manada
seus corpos e vozes ecoam
aos berros, aos cantos, aos choques e desencantos
não acreditam e nem concordam com o sentido do rebanho
não precisam e acreditam em pretensas/falsas uniões
suas identidades únicas e contraditórias
se somam pelas bases afins
o almejar o momento e sem limites
o ponto de execração em comum
o selo da indignação
no resignificado a outra possibilidade de viver sem amarras
no inventar poesias depois dos massacres
ao plantar sementes anti-submissão
em tocar nas ruínas,
ver as dilacerações do mundo e não se calar
na loucura necessária que se torna uma chama
aquelx que revela e não x que maquia o monstro
que denuncia também o afiador de facas do torturador
que destrói os campos de extermínio do corpo e da consciência...
eis então o que a palavra Punk representa!!!
há sempre um(a) punk por