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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Reboco Caído #27 volume: 1 e 2


 Andando pela madrugada, sentia as sombras inundarem seu corpo.
A tristeza não lhe trazia sofrimento, pois tinham uma amizade antiga,daquelas em que podemos confiar.
Pelo meio da rua caminhava completamente a vontade. A garoa fina massageava seu crânio. Nada mais importava.
A bota pisava o asfalto molhado, deixando a água entrar pelo furo da sola.
Os olhos apreciavam os prédios escuros...
... as marquises abrigando quem não tem outro lugar para ir...
... pontos de ônibus com passageiros atentos para não perder o proximo transporte...
será que o proximo existe?
Mas o que el mais gostava de ver era a rua deserta.
Apenas a escuridão, ele e os pingos caindo do céu.
Esses trechos de pura solidão o alimentava como se fossem vitaminas.
Continuou, passo a passo, se aproximando do destino...
Não havia preocupação...
...apenas um caminhar tranquilo e soturno para sabe lá onde.

Zine Reboco Caído - 27 - Especial 5 anos

volume 1:

volume 2:

Nem macho Nem facho zine


Duas mulheres, muitas inquietações e uma ideia: o resultado é este zine que você tem em mãos. Há um século mulheres não podiam sequer escrever algo e publicar, hoje ainda se espera que a maioria se dedique a coluna de moda e beleza e a credibilidade dos escritos femininos ainda é diminuída. Por isso cada uma dessas linhas é importante, aqui erguemos nossa voz que tantas vezes é silenciada e criamos um registro sólido das nossas pautas - podem abafar as falas, mas não se apaga as palavras.
O lugar é o punk e o contexto é o lixo de sistema que você está mandando se foder desde a pré-adolescência, capitalista e patriarcal.

Só que o fuck the system já não cabe mais na realidade complexa e na rede de opressões de poder que vivemos, passando por raça, classe, gênero e muitas outras variáveis. Como mulheres estamos muito mais fodidas do que homens na sociedade, e isso se reproduz dentro do meio que alegamos ser contracultural. Não, não estamos conseguindo ser "diferentes" ou "melhores" que a merda lá fora, estamos vestindo os velhos preconceitos com um jaco cheio e patches e criando um fetichismo estético que não condiz com uma proposta revolucionária e Faça-você-mesmx. O feminismo tem aparecido nas discussões, o que poderíamos considerar um avanço, se não fosse completamente distorcido e prestando um puta desserviço. O machismo continua sendo um pilar dessa realidade, e sentimos isso na pele todos os dias. é por isso que trazemos esse zine até você, como uma contribuição para que o feminismo esteja presente na luta diária de todx e possamos construir coletivamente um meio livre de opressão de gênero.

Ler:

domingo, 3 de janeiro de 2016

Reboco Caído nº28

Vento frio

aproveitando a depressão noturna 
a melancolia solitária deste aposento 
fico observando o vento nas árvores 
a chuva fina caindo 
só o nada a preencher 
leio algumas frases tortas 
escritas há algum tempo 
no intuito de começar uma história 
lembro da senhora dormindo na calçada 
será que arrumou um lugar seco para ficar 
vejo os galhos balançando 
dobrando 
quantas pessoas agora por aí 
encarando essa noite fria 
sem ter onde ir 
uma voz grita alguma coisa 
quebrando o silêncio 
o que será que aconteceu 
passa um carro 
as árvores continuam a resistir 
os galhos balançam com mais força 
lixo voando pela rua 
tomo mais um gole 
o vento continua a soprar pela cidade fria

Versão digital nos links:
Para adquirir a versão impressa, entre em contato pelos endereços expostos no próprio zine

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Haveria - em algum lugar - algo que fosse diferente?

Não era assim que ela imaginava que fosse ser. A mudança, outrora sempre vinha a mente como uma possibilidade a mais 
de buscar algo que fosse vivido ou diferente... não apenas mais uma ausência de alternativas mediante o 
esgotamento da expectativas construídas sobre o modo de vida anterior. Isso parecia triste, mudar não pela coragem 
mas pela covardia, não pela força mas pela fraqueza, não pelo entusiasmo mas pela amargura. E Ela se sentia amarga
como nunca, talvez apenas numa fase e nunca a pior delas, mas eram dias de um vazio indescritivel... seus passos 
era tão leves que não marcavam a areia, fazendo com que seus caminhos não tivessem nem passado nem futuro...
mesmo sempre saindo de algum lugar e chegando a outro, havia um tipo de restrição oculta nos espaços por onde ela
transitava, que sua experiência e conhecimento acumulados talvez nunca fossem suficientes para desvendar.
Ela concerteza conseguia dissimular suas incertezas e o seu descompasso com o mundo sem maiores problemas,
para entrar em contato com Ela e com outrxs que carregam em si um genuino descontentamento a ordem das coisas,
mas que não conseguem mais construir seus sonhos e novos mundos, ou viver apenas deles.
Isso não fazia muita diferença, agora que um novo caminho estava sendo criado, agora que novas escolhas haviam
sido feitas. Na verdade, não havia nada de novo naquilo e ela sabia, era apenas um reinício em um outro contexto, 
em um outro ambiente, mais ainda assim circundando pelas mesmas estruturas e com os mesmos principios. Era tudo
tão igual que, lá no fundo, ela se perguntava se havia em algum lugar sobre, algo que fosse diferente.
Assim os dias prosseguiam movidos pela deseperança... A ultima partida havia sido uma derrota e, mesmo que talvez essa
proxima rodada lhe reservasse alguma vitória, ela não sabia mais se isso era relevante. Vitórias e derrota 
sempre se confudem no mundo da indiferença.
Talvez o problema ali não fosse realmente a mudança da realidade ou a disputa de alguma partida, mas apenas Ela
mesma e seus valores, seus objetivos. Ela sabia que o problema - ou a principal resposta para os problemas - estava
em sua força, as esperanças que lhe restavam. Assim ela seguia, incerta, e vez ou outra imaginava quando suas forças
iriam se esvair e quando o que lhe resta como seu seria finalmente entregue. Questionava-se sem saber que não havia 
mais força alguma, nem tempo... e que - tudo o que ela fora algum dia - já estava perdido em algum lugar, ou como uma 
lembrança triste, ou como uma pegada apagada na areia.

Inkomodozine #4
Fragmento de texto retirado do "Vai até lá e sinta" - junho de 2004


quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Não trago a verdade comigo

Não trago a verdade comigo e se houvesse alguma, eu a rechaçaria.
Talvez estes livros e todas as palavras que já foram escritas ou profetizadas tenham esvaziado seus conteúdos e hoje estão banalizadas e servem apenas para encherem a boca de teóricos, acadêmicos, blabláistas... 
Acho que cada pessoa precisa pensar. E pensando ela ao menos existe... ela faz a diferença em um mundo onde a automação nos nega os sentidos, a massificação retarda nosso cérebro e os avanços tecnológicos longe de trazerem soluções para a humanidade, a despedaça ainda mais...
Naira



manifestações egoicas...

mas uma autodescoberta introspectiva, 
as fronteiras entre o que é íntimo e o que é público ficam borradas 
intimidades são transformadas em coisas públicas, 
e aquelxs que se recusam a publicizar sua intimidade 
vistxs como pudicxs e reprimidxs, 
necessitadxs de uma limpeza psicológica...
certamente... 
precisamos ser aptxs 
nos libertarmos de sentimentos opressivos, 
emoções reprimidas e caminhos tortuosos...
existe uma fome de "ser"...
permanentemente olhando para trás, 
para dentro de nossos passados, 
em vez de vermos outros horizontes vindos de outras experiências
encontrarmos possibilidades novas para nossas vidas...
substituímos o "ser"...
uma overdose de adoração ao próprio umbigo e autodescoberta, 
borramos a diferença entre os dois 
- verdade e culto ao ego - 
de modo que a "verdade" passa a ser equacionada 
manifestações egoicas... 
se tornam "espelhos de aumento", 
refletindo a si mesmxs de volta em um tamanho maior, egocêntrico...
descontextualizando a autorevelação
uma importante parte de qualquer ser esclarecidx e autocriticx...

destrua a moral...

deveras...
indivíduos que cultivam o rotulismo
interpretando o pUnK por meios morais
deturpação eis que surge
tão ínfima de indivíduos
pernilongos cheios de teorias pseudo-intelectuais
deturpação pseudo-critica
cultivam mentiras vivas
cinismos e ideais de ismos...
singularidades "passivas"
almejam a moral nessa sociedade
foda-se a mentira...
mentira que se torna passível
filosofam a tragedia...
a margem...
uma natureza trágica
o PuNk é a própria tragedia
nega a estrutura da sociedade
não almeja a moral nessa sociedade
foda-se a mentira...
mentira que se torna passível
ir além...
muito mais do que ter um ideal
torne-se real
cultive uma destruição interna
desperte da escuridão do próprio ser humano
destrua a moral...


Confissão Misantropa


seu café da manhã é uma dose
uma dose para as consequências de existir
as vezes é o que ajuda
mas dói mais...
brincando de cabo de guerra
sente-se como a corda
está no limite
mas continuam puxando
está perdendo a sua mente...
se esconder na parte de trás de uma caverna
no topo de uma montanha
onde ninguém x pode ouvir
onde ninguém x pode ver
talvez esteja apenas cansadx
anti-social chamam nx
gostar apenas de si mesmo
uma operação solo
sozinho apenas, é mais confortavel...
a apatia lhe obtem o melhor
está tão cansadx
de falar dos seus problemas
pessoas são odiosas
destrutivas e gananciosas
orgulhosas e ingratas
o mundo seria melhor sem nós
seres humanos um desperdicio de ar
nenhum digno de confiança
chamam nx de anti-social
mas está é apenas uma confissão misantropa
de qualquer maneira é uma operação solo
muito mais confortavel sozinhx
e muitas doses no café da manhã...


caiam fora idiotas skins

sempre que aparece uma juventude com ideias direitistas recorrem logo a indumentaria skinhead... usam suas simbologias... suas estetica e por ai vai... ai vem um monte de 
imbecis querer dizer que o skinhead tradicional é antifascitas e blablablablabla...
skinhead é um "subgenerop" que ja deveria ter sido extinto da face da terra ... essa bosta existe desde os anos 60 sempre pegando carona em outras movidas querendo se infiltrar... foi assim no reggae... e agora querem construir uma nova historia para o skin aqui no brasil sem nem se importar com a relevância dos fatos... haja vista que no brasil desde que a merda do oi surgiu junto aos skins, sempre foi um subgenero de cunho fascista... a merda com essa nova geração fabricada pelo wikipedia e facebooks da vida...caiam fora idiotas skins...

...ideias são apenas perspectivas e não dogmas absolutos...

...ideias são apenas perspectivas e não dogmas absolutos...
...mas o espetáculo está ai para quem quiser assistir e até participar desta encenação, desta palhaçada que hoje se estabeleceu de forma gritante, e nada parece abalar essa situação...
o doutrinismo, as mentiras, calunias e as falsidades se tornaram pilares dentro do processo, ao invés de autocritica, humildade e “razão”... pois nunca encaramos nossos erros e problemas de forma critica, sempre buscando que o tempo fosse o melhor remédio para nossas limitações... isto gera um ostracismo que aos poucos vai nos afastando de nossos objetivos... pessoas que utilizam posturas como se fossem troféus; “acéfalos”, oportunistas e idolatras...
ao invés de buscar nossa identidade de radicalismo cultural, fazemos concessões, culto patético a bandas, zines, visuais e posturas que mal se entende e vivência... hipocrisia, falsidade e egocentrismo...
este é o quadro de uma geração de idolatras que não buscam desenvolver nenhum raciocínio critico perante essa realidade de degradação do punk.
Os fatos tem de serem ditos e não ignorados...
Radicalismo e resistência cultural do punk... radicalismo na vida... radicalismo cultural e cotidiano...
Resistência PUNK.