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domingo, 4 de março de 2018

Casa das Mariposas - zine conto

“um lugar em qualquer lugar”
“Existe uma outra ilustração para a Teoria do Caos. Esta diz que o repouso das asas de uma mariposa pode vir a significar uma ocupação bem-sucedida no outro lado do globo.” 

Finalmente está pronta mais esta produção! Foram muitos quilômetros percorridos, literalmente! E infelizmente não saiu com todo o conteúdo que eu realmente queria explanar. Não há uma cena conseqüente que a meu ver não merecesse extensão. Pois todos os temas e personagens merecem. Gosto de detalhes, de expressões, de realismo! Porém isto fica inviável quando se tem uma impaciência para publicação e quando não se tem recursos para copiar produções quilométricas . Ora, algum dia lançarei uma versão estendida como em um dvd. 
Este não é um conto sobre um alguém ou uma cena especifica. Qualquer semelhança é uma semelhança com a coincidência inexistente da relatividade da causa e conseqüência do efeito mariposa. Ah, a teoria do caos é mesmo caótica demais para fazerem-se exaltações ou execuções empíricas! O importante aqui não é criar um estereótipo de indivíduo ou movimento libertário, não é de se aprofundar de só descer o pau a criticar. É sim um registro de aspectos de personalidades que vêm se perpetuando em diferentes realidades e localidades de personagens possivelmente reais, que aqui são ocupas de um squat. E este é só um pano de fundo dessa novela literária marginal. 
É triste perceber o quanto o mundo tem se degradado graças ao humano. E com ele, logicamente nós, Movimento. É lamentável ver que reproduzimos coisas que abominamos. É lastimável e paradoxal perceber o quão é difícil manter uma postura coerente. Mas... coerente a quê? Se a tal repetição de guerra, ódio, miséria e desgraças extremas nós só vivemos em zines e em letras de música? Até porque não conseguiríamos conviver com esta idéia em nossas mentes constantemente. Os molotovs hoje são só desenhos! Os anos oitenta se foram! Nossos salários são federais, usamos celulares, cartões bancários e Microsoft... Vivemos numa repressão maquiada pela alienação e o ego fala e expressa mais alto. Somos primeiramente coerentes com nosso prazer. E é isso que às vezes atravessa a barreira do respeito e espaço alheio. Mesmo dentro de grupos e convivências libertárias. Não se pode confiar em ninguém! 
A seguir verás cenas que, sabes, acontece, ou aconteceram em algum lugar qual já tenha ouvido falar ou vivenciado. E temos permitido isso! Por pretexto de nosso maior benefício irrefutável: a liberdade. Ah, você nunca ouviu, viu ou sentiu nada de tais coisas por ai? Bom pra você! Mas verás agora. Se achar ruim melhor ainda. Se a ferida doer, pode me chamar que eu arranco a casca com uma gilete e jogo o vinagre! Um cigarro, um copo de rum e boa leitura!


FODAM-SE os direitos autorais: Acreditamos que qualquer expressão que
sirva para melhorar, evoluir o sentimento e o pensamento humano é um
bem comum. Portanto não deve ser considerada uma propriedade privada.
Este trabalho pode ser reproduzido ao todo ou em parte desde que não
vise 
a produção com finalidade de lucro. Viva o livre pensar,
expressar e sentir! Viva a livre poesia!!! CITE A FONTE
Contatos: lux.alt@gmail.com ou http://luxalt.blogspot.com

*zine conto 50 paginas, 6 "capitulos", tamanho 1/2 A4...
a versão do em pdf disponivel (aqui) no blog do autor é diferente em formato e nas artes, do zine que tenho em mãos, não cheguei a ler a versão em pdf pra ver se há diferenciação na parte escrita tbm...
excelente zine com esse conto urbano, inspirado na cultura punk/okupa/queer/libertaria, um dos melhores zines que tive em mãos recentemente!!!
quem tiver afim da cópia física, só entrar em contato, disponibilizo para trocas...



segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Meu pedaço de amargura - zine HQ


Lágrimas de desabafo. Desabafando o ódio, os ressentimentos, a angústia, a dor. Com um nó sufocante na garganta,
Senti o impacto dessa frase no peito e saí do estágio mais profundo do sono. 
Não abri os olhos de imediato. 
algumas ilusões permanecem guardadas 

A volta à realidade era conduzida pelos sentimentos de insegurança. 
tímida e isolada. 
O que lhe restava era sonhar...
Duvidava da existência 
já não sabia se era sonho ou realidade
começou a afundar
Uma onda de desespero invadiu seu peito e explodiu...
precisava vencer a atitude derrotista tão característica
aceitava a morte???
mas sempre ia embora. 

à mesma rotina entre o tédio dos passeios
Mas o que mais incomoda mesmo são as pessoas em volta,
um lugar para comer 
nos entregando ao vício
Choveu um pouco mais forte
A adrenalina começou a baixar, 
e o sentimento de impotência e desgosto aflorou, 
pensou no que podería ter feito
Ainda deu tempo da chuva parar, caminhar lentamente
acordada durante o trajeto e observei melhor o caminho. 
meu pedaço de amargura
sombria indiferença
a paisagem mudou... encontros... bandos...
sonho que passou
triste pensamento

Enterrados em uma cultura de idolatria
em suas casas com guaritas enquanto se entorpecem
proporcionada por uma mídia corrupta e sensacionalista. 
homens que falam obscenidades para as meninas na rua, 
Medo passou a ser um sentimento comum no cotidiano 

uma noite intesamente fria
mergulha a cidade no silêncio profundo
de uma noite sem lua
o panorama cinzento da cidade
noite fria e gelada
na rua raros passantes ao longe
comercio fechado parece adormecido
sem luz, sem luar
agora perdida no asfalto da vida
pela rua simplesmente
em um passar vagamente
levando tão somente
a indiferença
o pensameento rasteja serenamente
nessa paisagem egoista
descolorida e sem cor
e seu tão vago passar

sentia-se cansada e queria chegar logo em casa. 
Voltava horas depois sem dizer uma palavra, a ninguém. 
ao limite, à exaustão. 

horas sombrias, enervantes e melancólicas, deixando rastros de tédio e dor.
horas vividas e sofridas, sem ela mesma entender e nem compreender
de tão inquietantes e sem finalidade.

um frio intenso envolve a cidade
Mergulho no auto-esquecimento
mas quando eu desperto ainda estou aqui

*zine HQ, 14 paginas tamanho A4, conto/poesia/HQ + texto

Disponível para trocas, de quem faz pra quem faz!!

Faça tu mesmx ou morra!!!

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

CLIT Zine #1


CLIT – do grego kleitorís. Porque nada poderia ser tão nosso, tão íntimo e ao mesmo tempo tão político, cercado de tabus e ainda assim uma fonte inesgotável de inspiração e fôlego. Latejamos por mudanças, pulsamos de indignação e explodimos em novas possibilidades.

O CLIT Zine foi idealizado com o objetivo de aproximar o formato de publicações acadêmicas atuais do velho e bom zine faça-você-mesma. O objetivo do CLIT é se apropriar de conteúdos dentro da arena do feminismo e questões políticas relacionadas, trazendo para o cotidiano aquilo que chamamos de práticas teóricas.

Conciliar teoria e prática é um desafio e tanto, e duas mulheres feministas resolveram se arriscar nessa missão. Acreditamos que é preciso criar discursos que contestem nossas opressões, para então transformar a realidade, formando também a base necessária para nossas ações.  Informação é poder, e este zine nasceu da vontade de compartilhar ideias e contribuir com a democratização do conhecimento.

O foco do zine, como já fica claro, são os feminismos. Dessa forma, entendemos feminismo como o conjunto de teorias e práticas não necessariamente convergentes, porém sempre focadas em propostas para a solução da subordinação das mulheres. Trataremos da extensa produção teórica e também dos movimentos de mulheres, com o devido enfoque libertário que marca o nosso posicionamento.

Como feministas , anarquistas e veganas, pretendemos ainda explorar os instrumentos que nos permitem analisar nossa realidade social, lançando mão de gênero, raça/etnia, espécie, sexualidade, classe, geração, etc. As publicações do   CLIT  estão situadas dentro do contexto brasileiro, visto através de um olhar feminista e libertário que analisa métodos para alcançar uma sociedade mais justa e igualitária, com as liberdades individuais asseguradas em harmonia com a coletividade.


O zine representa a pecinha que nós podemos acrescentar nesse gigantesco quebra cabeça que é a luta pela transformação social, instigando a reflexão e o debate entre aquelxs que compartilham as mesmas angústias.

*zine anarca-feminista, 28 paginas, tamanho ½A4, zine de mina pra mina, com foco nos feminismos...



sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A nossa expulsão - Florentino de carvalho(1919) e Conto Extraordinário - Gigi Damiani (1904) - Livreto artesanal

Contos Extraordinário (Gigi Damiani)

Falava o espírito pela boca do médium: - Quantas milhas fiz eu correndo sempre... com aquele pesado saco de moedas ao ombro? Quantas?
     Não me lembro, não sei. Vi por duas vezes o sol descer atrás dos montes – disto lembro perfeitamente – por duas noites ouvi risadas sinistras dos chacais nas florestas. Mais eu temia as feras... Porque era meu... e muito meu... de legitima propriedade... Com as armas na mão, tinha-o conquistado... arriscando a minha vida.
     Ao romper da aurora do terceiro dia, porém, cai exausto, sem forças e quase morto de fome... de sede – oh! A sede! – de cansaço. Mas o saco das moedas de ouro tinha-o sempre bem apertado contra o peito, e nenhuma destas, tenho plena certeza, tinha caído.
     Um homem passa a dois metros de onde eu estava sentado, um homem estranho, sem idade, magro, com crânio à guisa de torre e só vestia uma túnica...
     Talvez um escravo, talvez um sábio, talvez um louco, um forçado.
     Chamo-o – ele se aproxima – e, quando está bem pertinho de mim, pergunto-lhe:
     - Onde é que há por aqui um hotel?
     Respondeu-me:
     - Aqui não há hotéis.
     - Não importa: veja alguém que me queira arranjar um pedaço de pão e uma vasilha com água... pagarei bem... tenho dinheiro... muito dinheiro...
     -Dinheiro? Mas o que é o dinheiro?
     ...Teria eu porventura penetrado em um país selvagem?  Teria, quem sabe, saído para fora da humanidade racionável? Em que planeta teria eu sido atraído? Zombava de mim aquele homem?
     Não obstante isso, desatei o saco, tirei um punhado de moedas de ouro – oh! Como resplandeciam aos primeiros raios de sol... oh! As lindas moedas! – e lhas mostrei, fazendo-as tinir...
     Assim mesmo o homem não compreendeu... olhou de um modo curioso aquele cintilar, sem comover-se, sem demonstrar o mínimo desejo de possuir um pouco de precioso metal, e repetiu tranquilamente:
     - O que é o dinheiro?
     Reuni as poucas forças que me restavam, levantei-me e: pulsora da vida, o eixo da ordem social? O único meio pelo qual chega a felicidade? Vés com o dinheiro, com este – porque é dinheiro, bom, dinheiro legítimo – se abrem canais, se unem os mundos, se partem as montanhas, se chega á gloria, se conquistam nações, se fundam indústrias – se compra o amor... se vence, se goza, se vive...
     - Com esse?
     - Sim, idiota... Com esse... Não tendes então aqui no vosso país, se é aqui há um país, nem comércios, nem artes, nem indústrias? Do que é proveniente o vosso bem estar?
     - Do trabalho!
     - Pois é, do trabalho... quem é pobre trabalha, mais, quem tem desse, não trabalha mais... faz os outros trabalharem... Quem tem desse e bastante, como eu, não tem necessidade de nada... é o patrão... são os outros que necessitam dele: os pobres! Quem desse, repito, tem tudo, também o impossível.
     Então aquele homem disse:
     - Pois bem... já que tu necessitas de nada... nem de mim... que és o patrão... que tens o ouro... retiro-me, adeus!
     - Mas estou com fome, gritei, tenho sede!...
     - Come o teu ouro, bebe o teu ouro...
     E voltou-me as costas.






sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Punx desconstruindo o sexismo - Zine AnarcxPunk


Em suas mãos um zine que trata de um problema recorrente na cena punk e na sociedade de modo geral, o sexismo. Ele surgiu da idéia de se abrir um debate coletivo sobre o tema, que muitas vezes é esquecido ou é tratado como um problema não existente, o que infelizmente, não
é verdade. Os abusos sexuais em gigs, a violência física, verbal e emocional em diversos âmbitos da cena continuam acontecendo, e de modo geral, continuamos tratando
apenas como casos isolados, conflitos de casal, acidentes e desculpas afins. Desta forma, continuamos perpetuando comportamentos sexistas em nosso meio, o presente zine se propõe a
instigar o desejo pela desconstrução deste comportamento sexista por meio de análises do problema e propostas de mudança, com ênfase nas relações entre homens e mulheres. Acredito na destruição dos papéis de gênero, da heteronormatividade e do binarismo sexual, porém, eles
existem, e existirão até que possamos compreendê-los e desconstruí-los. Os textos aqui presentes abordam o tema sexismo de maneiras diferentes e algumas vezes contraditórias, e isto é proposital. Acredito ser necessário introduzir opiniões diferentes para que se possa imaginar e construir as medidas necessárias para cada cena punk em particular, pois, cada uma é dotada de peculiaridades que alteram o modo como se deve encarar este problema que é tão complexo e que permeia tantas questões, como racismo, homofobia, religiosidade, culturalismo e
consumismo. O texto “Punk versus sexismo” foi escrito pelo coletivo, zine & distro Profane Existence, contém informações e propostas interessantes para nosso meio. O texto “Você não pode quebrar meu espírito” foi escrito por Adrienne Droogas, que fez e faz parte de várias bandas e coletivos e que aborda de maneira pessoal e intensa o sexismo em sua vida. (Ambos os textos foram livremente traduzidos) E temos o texto da Naira (que não tem mais nenhum envolvimento com a cena punk, porém seu texto, escrito em 1999, ainda é contundente) retirado do encarte do split Execradores/Sin Dios, Os demais textos e imagens
são de produção deste zine ou foram encontrad@s sem informação autoral, em todos os casos, a
cópia é livre, assim como parte ou todo do zine. (copyleft fuck off). As normas gramaticais foram propositalmente esquecidas. Por mais que de modo geral a escrita se enquadre nela, isto não foi buscado, as normas gramaticais, em geral, são por si só discriminatórias e sexistas, logo, devemos libertar as palavras dela.Como geralmente utilizado em nossa (punx) escrita o “@” e o “x” definem tanto “o” quanto “a” transformando as palavras em palavras de gênero único, neutro. Também é importante deixar claro que este zine não é para esta ou aquela pessoa, nem a nenhum grupo ou banca específic@, o zine é para tod@s integrantes do movimento e até mesmo para sociedade como um todo, porém, o zine é direcionado especificamente para cena punk, porque, se tratarmos de forma geral, caímos no velho hábito de criticar a sociedade e não a nós mesm@s.


Igualdade não é um mero slogan - é um compromisso.                                                                      
Este compromisso só vai funcionar quando nós o sustentarmos e exercermos na teoria e na prática, em nossas vidas diárias.                                                                                                             
Quando trabalhamos para atingir isto dentro do movimento punk, também estaremos trabalhando no sentido de alcançar a igualdade e combater o sexismo na sociedade.               
Este é um processo contínuo e que deve se manter para evitar retrocesso aos velhos hábitos.      
É também essencial que os novos membros da nossa comunidade sejam educados, não só
as causas, mas também aos métodos para combater o patriarcado, o sexismo e a violência sexual.
Se cada um de nós usar estas táticas em nossas vidas diárias, isto permitirá a todos nós uma voz
e um meio para enfrentar o sexismo (e outras formas de opressão).
Este é um conjunto fundamental de direitos para todos.                                                                
A sensação geral de respeito um pelo outro irá fortalecer a nossa comunidade interna, e fornecer meios para seriamente começarmos a combater a opressão.


*zine 32 paginas, tamanho A4, que trata exclusivamente da questão do sexismo...




quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

I.A.P. n°1 (punkzine de la Internacional Anarco Punk) Costa Rica, Noviembro 2016

PUNKTORIAL I.A.P.
Saludos compañeros y compañeras, aqui te presentamos este primer número de esperamos muchos más, de la internacional anarco punk, este primer número está elaborado por el colectivo estmapida libertaria.
Em el VIII encuentro realizado em costa rica se acordo que cada número del zine de I.A.P. fuera elaborado em um pais distinto y costa rica al ser el país donde se realizo el encuentro pues el que comienza este hermoso proyecto de informacón y a la vez mantener vivo lo que es el fanzine anarko punk.
Esperamos que este numero de uma idea um poco más clara de la situación del país em que vivimos, al igual que em muchos píses uma escena llena de altibajos y problemas internos y externos personales y colectivos uma lucha constante contra esse fuego interno que nos mantiene luchando soñando y creando para lograr esse cambio que buscamos hacia um mundo mejos.
Recordemos que el cambio empieza em nosotrxs, cuestiónate y cusetiona lo demás, como leé em algún fanzine, La Revolución más que ódio a lo injusto es amor a lo justo. Todo se basa em um cambio sincero y acciones congruentes.
No hay limites para ser mejores

Organizate y aktua!!
Mis pecados son haber renunciado a sus instituciones, poseer un asqueroso diploma sobre el cual sustentar mis argumentos. 
Son no pensar que el trabajo dignifica, Son desertar de sus empleos de ocho horas.
Son traicionar los principios sobre los que se rige la masculinidad. 
Son no ser el sostén economico que define el hombre de la casa.
Haber desahuciado al bastardo de dios de nuestra cabeza pra re matarlo con nuestra conviccion. 
Son no creer en sus procesos democráticos.
Son evidenciar las tantas contradicciones e infamias que cometen los grupos alternativos, desde el rojo hasta el blanco, los cuales no presentan alternativa alguna.
Son haber deconstruido la moral impuesta y haber creado mi propia ética.
Son heber rechazado la normalidad.
Mis pecados quizá sean sintomas de locura pero mi realidad me indica que lx cuerdx muertxs están.
La cárcel mental.
La sociedad-prisón.
Nuestros crímenes son la sinceridad ye el rechazo a corrompernos.
Que gracioso.
Corrupción.
la palabra explica todo y a la vez no explica nada.
Justo como el comportamiento de las mayorías.

Leonardo, desde El Salvador.
 
*punzine de 38 paginas tam. A4, de la Internacional Anarco Punk, com textos sobre carta de apresentação da I.A.P., AnarkoPunk na costa rica, sistema de educação, 100 anos de escravidão (zoológicos: recintos de crueldade), libertação animal, conto, violência sexista,  EZLN-CNI,  relato do encontro, fotos do encontro, colagens, anarquismo na costa rica, anarko punk en el Salvador, princípios de I.A.P., problemática das hidroelétricas na costa rica, culturas ancestrais na guatemala 2016, entrevista, repressão na costa rica...




sábado, 30 de dezembro de 2017

A legalização do aborto é uma questão de saúde pública no Brasil

Cerca de 5 milhões de mulheres já declaram ter realizado aborto no Brasil, ou seja, uma em cada sete mulheres. Hoje são executados mundialmente 20 milhões de abortos, desses, 97% são feitos em países pobres ou em desenvolvimento, onde a prática abortiva é criminalizada. Isso leva a uma simples conclusão: o aborto existe, e os estudos históricos comprovam que essa prática, apesar de clandestina sempre marcou a vida das mulheres por ser a única alternativa frente a uma gravidez indesejada. Mulheres em condições financeiras privilegiadas optam pela interrupção da gravidez por meio de clínicas particulares que dispõem de profissionais preparados e procedimento seguro. Já as mulheres da classe trabalhadora, em sua maioria negras, são vitimas do sistema capitalista e de um estado que se declara laico, mas que destinam como única alternativa a adesão de procedimentos inseguros que colocam em cheque sua saúde e vida. O aborto clandestino é responsável por 602 internações diárias causadas por infecção, 25% de casos de esterilidade e 9% de óbitos maternos, o que corresponde a terceira maior causa de morte materna, no país. Não obstante, as que sobrevivem, correm o risco de serem presas, posto que a prática é um crime, segundo o código penal brasileiro (de 1940). Outro dado estatístico que deve ser pontuado é que uma em cada cinco mulheres com a faixa etária de 40 anos já provocou o interrompimento da gravidez. Isso revela que mais de 5 milhões de mulheres entre 18 e 39 anos já abortaram. A maioria delas abortam com métodos inseguros e acabam finalizando o aborto nos hospitais públicos. Portanto, o aborto é uma questão de saúde pública no Brasil e de direitos fundamentais das mulheres. A discussão sobre o aborto no Brasil tem sido pautada pelo poder público brasileiro como moeda de troca para angariar votos, em particular das comunidades evangélicas e católicas, haja vista como o tema foi tratado nas últimas eleições presidenciais. Isso revelou que o Estado brasileiro não discute o aborto e a saúde da mulher, mas a possibilidade das plataformas religiosas regularem ou não a reprodução das mulheres. Um claro indicativo da força das religiões cristãs no espaço público, o que revela a fragilidade do Estado diante do poder das religiões, salientando que o Brasil é um país constitucionalmente laico. A opinião individual sobre a questão do aborto não pode e não deve ser colocada em questão. O que deve ser levado para a discussão é como o Estado pensa em cuidar desses milhões de mulheres que chegam aos hospitais públicos para finalizar um aborto e quais políticas a serem adotadas para amparar as mulheres que não desejam levar uma gravidez até o fim, uma vez que é um mito dizer que a mulher nasceu para ser mãe, trata-se de uma construção histórico-cultural.

Morgana Damásio
Rose Cerqueira





sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Movimento passe Livre - Não começou em Salvador, não vai terminar em São Paulo

Como um fantasma que ronda as cidades deixando marcas vivas no espaço e na memória, as revoltas
populares em torno do transporte coletivo assaltam a história das metrópoles brasileiras desde sua formação.
Os bondes virados, os trens apedrejados, os ônibus incendiados, os catracaços [2], os muros “pixados” com as vozes das ruas, as barricadas erguidas contra os sucessivos aumentos das passagens são expressão da digna raiva contra um sistema completamente entregue à lógica da mercadoria. Num processo em que a população é sempre objeto em vez de sujeito, o transporte é ordenado de cima, segundo os imperativos da circulação do valor. Dessa forma, a população é excluída da organização de sua própria experiência cotidiana da metrópole, organização essa que se realiza principalmente pelo sistema de transporte, o qual restringe a mobilidade ao ir e vir do trabalho e coloca catracas em todos os caminhos da cidade. E, no momento que se fortalecem as catracas, as contradições do sistema tornam-se mais evidentes, suscitando processos de resistência. É em meio a essa experiência concreta da luta contra a exclusão
urbana que se forjou o Movimento Passe Livre.
As revoltas de junho de 2013, desencadeadas pela luta organizada pelo MPL-SP contra o aumento das
tarifas, não são algo inteiramente novo. Para começar a compreender esse processo é preciso que voltemos a, no mínimo, 2003, quando, em resposta ao aumento das passagens, iniciou-se em Salvador uma série de
manifestações que se estenderam por todo o mês de agosto daquele ano, que ficou conhecida como a Revolta do Buzu[3]. É impossível calcular precisamente quantas pessoas participaram desses protestos, mas as estimativas giram em torno de 40 mil, e pode-se dizer que qualquer pessoa que tenha entre 24 e 34 anos hoje em dia e que morava na capital baiana participou da revolta. Durante as aulas, estudantes secundaristas pulavam os muros das escolas para bloquear ruas em diversos bairros, num processo descentralizado, organizado a partir de assembleias realizadas nos próprios bloqueios. A indignação popular represada no interior do transporte coletivo fomentou uma dinâmica de luta massiva que escapava a qualquer forma previamente estabelecida. A Revolta do Buzu exigia na prática, nas ruas, um afastamento dos modelos hierarquizados; expunha outra maneira, ainda que embrionária, de organização.
Ao fugir de qualquer receituário pronto, a revolta deixava em aberto o sentido das mobilizações, tanto no
que se refere à organização do transporte quanto à do próprio movimento. Com isso, entidades estudantis
aparelhadas por grupos partidários se colocaram como lideranças e passaram a negociar com o poder público em nome dos manifestantes. Após barganhar meias concessões com os governantes, sem atingir a revogação do aumento, utilizaram-se de todos os meios possíveis para desmobilizar a população.
A partir dos relatos publicados no Centro de Mídia Independente[4] e do documentário Revolta do Buzu, de Carlos Pronzato[5 ], a experiência da ação direta da população por meio de assembleias horizontais, o
aparelhamento da revolta pelas entidades estudantis e a explosividade da luta pelo transporte público ganharam certa projeção nacional. O filme passou a ser utilizado em várias cidades por comitês pelo passe livre estudantil – que já se organizavam localmente em torno de projetos de lei – em atividades em escolas, ampliando o debate sobre a questão do transporte e as formas de organização alternativas ligadas a ela. Os mesmos estudantes que assistiram àquelas imagens e as debateram pulariam os muros de suas escolas pouco tempo depois, para se juntar às manifestações da Revolta da Catraca, em Florianópolis, em 2004[6]. Ocupando terminais e bloqueando a ponte que dá acesso à ilha, os protestos forçaram o poder público a revogar o aumento e serviram de base para a fundação do MPL no ano seguinte.
A perspectiva aberta por esse curto processo de lutas que alcançou a vitória na capital catarinense deu origem ao movimento: uma tentativa de formular o sentido presente naquelas revoltas, a experiência acumulada pelo processo popular, tanto em sua forma como em suas motivações. Surge então um movimento social de transportes autônomo, horizontal e apartidário, cujos coletivos locais, federados, não se submetem a qualquer organização central. Sua política é deliberada de baixo, por todos, em espaços que não possuem dirigentes, nem respondem a qualquer instância externa superior.
Ao mesmo tempo que ultrapassava as formas de organização já estabelecidas, o teor explosivo das
mobilizações apontava para as contradições que o produziam, imbricadas no sistema de transporte coletivo,
ponto nodal na estrutura social urbana. O acesso do trabalhador à riqueza do espaço urbano, que é produto
de seu próprio trabalho, está invariavelmente condicionado ao uso do transporte coletivo. As catracas
do transporte são uma barreira física que discrimina, segundo o critério da concentração de renda, aqueles que podem circular pela cidade daqueles condenados à exclusão urbana. Para a maior parte da população
explorada nos ônibus, o dinheiro para a condução não é suficiente para pagar mais do que as viagens entre a
casa, na periferia, e o trabalho, no centro: a circulação do trabalhador é limitada, portanto, à sua condição de mercadoria, de força de trabalho.
A luta de reapropriação do espaço urbano produzido pelos trabalhadores supera, na prática, a bandeira do
MPL em seus primeiros anos, que era o passe livre estudantil. Quando as tarifas aumentam, evidenciam-se
contradições que afetam a todos, não somente os estudantes, e então deixa de fazer sentido ter em vista
apenas um recorte da população. A luta por transporte tem a dimensão da cidade e não desta ou daquela
categoria. Cada vez mais debatida internamente, a ideia do passe livre para todos ganhou sustentação após o movimento revisitar o projeto Tarifa Zero, formulado pela prefeitura de São Paulo no início da década de 1990. O salto de compreensão sobre o sistema que tal análise trouxe ao MPL terminou por desfazer o véu de argumentos técnicos que escondia os conflitos sociais e econômicos por trás da gestão do transporte. Daí em diante, assumiu-se o discurso do transporte como direito, aliás fundamental para a efetivação de outros direitos, na medida em que garante o acesso aos demais serviços públicos. O transporte é entendido então como uma questão transversal a diversas outras pautas urbanas.
Tal constatação amplia o trabalho do MPL, que deixa de se limitar às escolas, para adentrar em bairros,
comunidades e ocupações, numa estratégia de aliança com outros movimentos sociais – de moradia, cultura e saúde, entre outros.
Se a retomada do espaço urbano aparece como objetivo dos protestos contra a tarifa, também se realiza
como método, na prática dos manifestantes, que ocupam as ruas determinando diretamente seus fluxos e usos. A cidade é usada como arma para sua própria retomada: sabendo que o bloqueio de um mero cruzamento compromete toda a circulação, a população lança contra si mesma o sistema de transporte caótico das metrópoles, que prioriza o transporte individual e as deixa à beira de
um colapso. Nesse processo, as pessoas assumem coletivamente as rédeas da organização de seu próprio
cotidiano. É assim, na ação direta da população sobre sua vida – e não a portas fechadas, nos conselhos
municipais engenhosamente instituídos pelas prefeituras ou em qualquer uma das outras artimanhas
institucionais –, que se dá a verdadeira gestão popular.
Foi precisamente isso que aconteceu em São Paulo quando, em junho de 2013, o povo, tomando as ruas,
trouxe para si a gestão da política tarifária do município e revogou o decreto do prefeito que aumentava a passagem em vinte centavos.
Não foi diferente do que ocorrera em Florianópolis na vitória que se sucedeu à luta de Salvador, e no ano
seguinte, quando a cidade barrou o aumento mais uma vez. A mesma experiência, em que a população se
apodera de forma parcial mas direta da organização do transporte – e, com ela, de uma dimensão fundamental da vida urbana – se repetiu nas revoltas de Vitória (2006), Teresina (2011), Aracaju e Natal (2012) e Porto Alegre e Goiânia (início de 2013). E se repete nas periferias sempre que pneus e ônibus queimados revertem o corte de linhas das quais dependem os moradores. É também esse o gesto cotidiano (limitado apenas pelo alcance das ações individuais) de quem não paga a tarifa – pulando a catraca, passando por baixo, entrando pela porta traseira ou descendo pela frente – e implementa assim, na prática, a tarifa zero. Em 2012, os usuários foram ainda mais longe, quando, revoltados com as panes nos trens, arrancaram as catracas, incendiaram a bilheteria e destruíram as câmeras de segurança da estação Francisco Morato da CPTM, viajando de graça até a conclusão dos reparos, no dia seguinte[7]. Tomando as ruas, as Jornadas de Junho de 2013 rasgaram toda e qualquer perspectiva técnica acerca das tarifas e da gestão dos transportes que procurasse restringir seu entendimento aos especialistas e sua “racionalidade”, a serviço dos de cima. Ao reverter o aumento das passagens em mais de cem cidades do país, as pessoas deslocaram momentaneamente – e com impactos duradouros – o controle político da gestão do transporte. Forjou-se, no calor das barricadas, uma experiência de apoderamento que não se resume à ocupação física das cidades, mas estende-se à maneira como se organizam os transportes no país. É essa tomada
de poder que assusta os gestores estatais e privados, que tentam agora reocupar o espaço que perderam para os trabalhadores urbanos.
As mobilizações sempre foram muito mais amplas que o Movimento Passe Livre – que jamais se pretendeu dono de qualquer uma delas – e eclodiram, por vezes, em cidades e regiões onde nunca houve atividades do movimento. As lutas por transporte no Brasil formam um todo muito maior do que o MPL. Contudo, a tomada direta e descentralizada das ruas, a radicalidade das ações e a centralidade dos aumentos tarifários dá a tônica dessas lutas. Após as Jornadas de Junho, milhares continuam nas ruas em diversas cidades, defendendo agora a implementação da tarifa zero.
A organização descentralizada da luta é um ensaio para uma outra organização do transporte, da cidade e
de toda a sociedade. Vivenciou-se, nos mais variados cantos do país, a prática concreta da gestão popular. Em São Paulo, as manifestações que explodiram de norte a sul, leste a oeste, superaram qualquer possibilidade de controle, ao mesmo tempo que transformaram a cidade como um todo em um caldeirão de experiências sociais autônomas. A ação direta dos trabalhadores sobre o espaço urbano, o transporte, o cotidiano da cidade e de sua própria vida não pode ser apenas uma meta distante a ser atingida, mas uma construção diária nas atividades e mobilizações, nos debates e discussões. O caminho se confunde com esse próprio caminhar, que não começou 
em Salvador, e não vai terminar em São Paulo.




quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Travessias e outros domínios - Poezine

Aqui um livro de poesias eskritas numa atmosfera tensa, sob um ar pesado, em kantos que predominavam a konfusão, em climas sekos, debaixo do sol niilista, com toda hostilidade y deskrença ke deposito nxs humanxs, sem nenhuma finalidade como toda forma de vida ke até aki encontrei, uma série de pequenas tragédias dedicadas a fatalidade, nesse kontinuo amanhecer-y-entardecer ke esmaga nossos ossos, poesias revestidas de desdém; mas ke você possa enkontrar nos espaços vazios entre um verso y outro o sentimento de autonomia sobre nossas próprias vidas y destinos, de amor livre, de luta y resistência a essas formas autoritárias y impostas de ver y sentir.


* poezine tamanho 1/2 A4, 36 paginas... um dos "melhores" zines que li recente, poesias/poemas dilacerantes, desabafo existencialista de expressividade odiosa, colagens simples em um fundo preto que representa bem um vazio/nihil, que "contrasta" com a escrita visceral... 

Disponível para trocas, de quem faz pra quem faz!!
Faça tu mesmx ou morra!!!